quinta-feira, 27 de maio de 2010

John Cage e o silêncio

“O que queremos é o silêncio; mas o que o silêncio quer é que eu continue falando". John Cage.



"O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."
Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas, p.371)

John Cage e a poética do silêncio: http://www.tede.ufsc.br/teses/PLIT0332-T.pdf

Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiu.

Bianca Selofite

Deimantas Narkevicius

Deimantas Narkevicius nasceu em 1964 na Lituânia, e vive e trabalha em Vilnius.Ele se formou na Academia de Arte de Vilnius como escultor e passou um ano em Londres, em 1992/93. Trabalha em cinema e vídeo, tendo uma visão subjetiva e contemporânea da história.Ganhou reconhecimento ao mais alto nível no cenário artístico internacional e representou seu país na 49 ª Bienal de Veneza em 2001.Ele tem um histórico sólido de exposições em todo o mundo e realizou exposições individuais na França, Bélgica, Lituânia e na Kunsverein Munchner.Em seu retorno à Lituânia estava preocupado com objetos específicos de site, mas um forte interesse na narrativa levou-o para gravar entrevistas e conversas com os artistas.Esse processo evoluiu para uma exploração de estruturas narrativas diferentes através do cinema e vídeo, o trabalho para o qual Narkevicius agora é mais conhecido. Narkevicius é um dos mais consistentes e amplamente reconhecidos artistas da Lituânia sobre a cena artística internacional. Ele representou o seu país na 49 ª Bienal de Veneza em 2001 e apresenta na 50 ª Bienal de Veneza em 2003, em "Utopia Station" com curadoria de Molly Nesbit, Hans Ulrich e Obrist. conhecidos artistas da Lituânia sobre a cena artística internacional.. Desde 1992, ele exibiu extensivamente em todo o mundo em exposições coletivas em muitos locais importantes de arte contemporânea e eventos.Ele mostrou na Manifesta II, no Luxemburgo, em 1998 e já expôs em Londres, Paris, Bruxelas, Vilnius, Manchester, Dublin, Viena, Bruxelas, Helsínquia, Estocolmo, Zurique, Rotterdam, Melbourne e muitas outras cidades.
Narkevicius descreve os temas e as origens da sua obra na 49 ª Bienal de Veneza:
"Apesar de meu negócio trabalha com temas contemporâneos, os problemas subjacentes geralmente vão para trás um longo tempo.Iniciei meu trabalho como artista, num período de mudança dinâmica para a minha sociedade. O estresse ea neurose causada por todo o dinamismo desviado desta sociedade, tanto a reflexão histórica e preocupações futuras. A orientação "ideológica" que dominou durante décadas foi - entre outras coisas - uma tentativa de criar uma sociedade para além da história. A nova situação política nos re-inserido no circuito de rotação da história, o que inevitavelmente requer uma visão. Mas como nós começamos a trabalhar sobre essa visão para nós, coisas que ressurgiu do passado, fenómenos que haviam sido escondidas sob a superfície da ideologia.Levam-nos desconhecido, desagradável, território indesejado, atrapalhando a nossa visão do futuro. " Cinema de trabalhos apresentados em Veneza em 2001 foram 'Legend Coming True "(1999, 68 min.), A história de um sobrevivente mulher rememorando o gueto judeu em Vilnius durante a Segunda Guerra Mundial e" Energia Lituânia (2000, 17 min. ), um estudo documental de uma usina de energia elétrica projetado como uma encarnação do otimismo da era moderna.Narkevicius também fez "Feast - Calamity 'site specific instalação de um detalhe arquitetônico que se transformou em uma luz' pós-escultura". O artista declarou: "O trabalho ocorre em forma de luz e escuridão intercâmbio.Esses dois extremos qualitativa não marcar uma dimensão metafísica.Eles indicam, pelo contrário, as respostas fisiológicas, a reação humana a mudanças na iluminação, assim como a fonte tecnológica para os raios de luz. Em uma entrevista com Hans Ulrich Obrist, em 2002, Narkevicius falou da ligação que vê entre a escultura e os seus filmes."Eu acho que meu filme é uma espécie de extensão da minha escultura.Para Manifesta II, fiz uma instalação com filmes.Estes filmes lidam com o espaço.Os projetores eram igualmente importantes.Em termos de pintura e escultura, "Energia Lituânia é uma imagem contínua como uma pintura ....Quando eu estava fazendo o filme que eu estava pensando nisso como um documentário, mas as ligações com a pintura muito emergiram durante o processo de edição.Obrist perguntado sobre seu processo de fazer um filme. Pelo contrário, é uma questão de escolher uma área em que você está indo para o trabalho.É mais como uma escultura de um local específico.Dentro desta área, que se define, vou começar a procurar uma determinada estrutura..´ Devido à especificidade do meio, há sempre coisas que deixo acontecer de maneiras inesperadas dentro dos objetos filmados e as pessoas, as superfícies inesperado. Kunstverein em Munique em 2002 Deimantas Narkevicius curadoria da exposição de seu próprio trabalho.Maria Lind crítico escreveu, "Há algo inflexível sobre Narkevicius 'Deimantas maneira de colocar o indivíduo e sua história no centro das coisas.No entanto, não é nem uma questão de um culto pessoal, nem o individualismo neo-liberal.Ele está interessado em pessoas com vidas normais, apesar de viverem numa sociedade em mudança, e em fé e, muitas vezes existencial experiências pessoais. "Mostrou" His-história "(1998), 'Legend Coming True', 'Energia na Lituânia ( 2000), "Europa 54 ° 54 '- 25 ° 19''(1997) e um novo trabalho," Kaimeitis (compatriotas). Ele está interessado em pessoas com vidas normais, apesar de viverem numa sociedade em mudança, e em fé e, muitas vezes existencial experiências pessoais. "

Tamara Faifman Maciel

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mediação - por Milene Chiovatto

Olá pessoal!

Lembrei de um texto que li pela faculdade e consegui achar o link...
É sobre mediação e escrito por ninguém menos que a Milene Chiovatto.
Não muda muito quanto o que conversamos em grupo, mas aproveitando que o assunto está bem organizado pode ajudar quem se sinta perdido!

É isso, espero que seja útil...

http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=13

--
Até mais...
[Daniele]

um site interessante

Olá pessoal!
aqui vai um site que não sei se vocês ja conhecem, mas que eu sempre dou uma olhadinha, ele é focado em arte educação, tem alguns artigos bem bacanas sobre mediação e umas indicações de livros que podem contribuir para nossas pesquisas
http://www.artenaescola.org.br/

tem uma lista enorme de livros e dentre eles eu escolhi o Arte/educação como mediação cultural de Ana Mae Barbosa, onde cita um trechinho assim...

''A arte, como uma linguagem aguçadora de sentidos, transmite significados que não podem ser transmitidos por nenhum outro tipo de linguagem, como a discursiva e a cientifíca. O descompromisso da arte com a rigidez dos julgamentos que se limitam o que é certo e o que é errado estimula o compromisso exploratório, válvula propulsora do desejo de aprendizagem.Por meio da arte, é possivel desenvolver a percepção e imaginação para apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade críica, permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada. No contexto da mediação social os museus tem muito a contribuir e muitos ja estão o fazendo. Acreditamos que a atuação dos museus e centros culturais na educação geral e na educação popular será cada vez maior e mais e mais profissionalizada.''
http://books.google.com.br/books?id=vE-JKyNSi4oC&pg=PA339&dq=a+imagem+no+ensino+da+arte+ana+mae+barbosa&ei=sRH7S8rGEYPWywTg6rGjDw&cd=1#v=onepage&q=a%20imagem%20no%20ensino%20da%20arte%20ana%20mae%20barbosa&f=false

aqui esta de onde tirei esse fragmento do texto.
se puderem explorem o site tem muitas coisas lá, cada vez que eu olho encontro algo novo!

boa busca!

até mais!
bjos Tamara Faifman

quinta-feira, 20 de maio de 2010


Olá, Malu
Foi um dia adorável, antes de mais nada, agradeço.
E em segundo lugar, o desenho é só um estudo rápido,
precisaria ser repensado mais vezes,
não tenho nenhuma pretensão de propor um retrato.Ao desenho de modelo vivo,ou modelo alheio ao desenho de observação,
Osvald de Andrade falava de uma espontaneidade da poesia em oposição a narrativa da pintura de sua época.
Então,
esse desenho foi apenas uma série de conven
ções mobilizadas a favor de um pequeno feixe de memória,
foi o amor não consumado de um momento sem a ação precisa.
Em anexo, potência.

Mediação como compartilhamento

Oi pessoal, tudo bão
Segue aqui um texto do educador Diogo de Moraes publicado no Canal Contemporâneo a poucos meses atrás. O texto é de sua autoria e o Diogo é artista formado pela B.A, com alguns bons anos em educativos de museus e instituições culturais. Faz parte do educativo da Bienal, envolvido com os cursos para professores. Foi dele, inclusive, a primeira pergunta para o Miguel Chaia na palestra.

A mediação como compartilhamento por Diogo de Moraes



“A partilha democrática do sensível faz do trabalhador um ser duplo. Ela tira o artesão
do “seu” lugar, o espaço doméstico do trabalho, e lhe dá o “tempo” de estar no
espaço das discussões públicas e na identidade do cidadão deliberante.”

Jacques Rancière - A partilha do sensível




Ao receber o convite para escrever este artigo, me pus a pensar nos diversos contextos, situações e circunstâncias em que a mediação pode ser realizada. Em princípio, o convite trazia como sugestão o desenvolvimento de uma abordagem pelo viés da arte-educação, designação representativa das práticas educativas acerca da produção e fruição das artes visuais. No entanto, certo de sua abrangência e versatilidade, optei por considerar a prática mediadora em uma perspectiva ampliada, evitando concentrá-la em um campo ou exemplo específico.

Neste sentido, dedicarei minhas ponderações à tentativa de indicar algumas direções a este tipo de atuação, na medida em que se mostrem (ou não) substanciais. Já de saída, destaco a seguinte pressuposição: levando em conta determinados aspectos da contemporaneidade – globalização, fluxos migratórios, circulação ininterrupta de informações e bens de consumo, conflitos civis e militares, multiplicação dos meios de comunicação, fragmentação da família e super-povoação das cidades – a figura do mediador surge como elemento chave nos processos de intercâmbio cultural e compartilhamento de saberes, contribuindo para a dinamização e incremento das interações sociais.

A opção por espraiar a reflexão revela uma indisposição em tratar a mediação como disciplina do saber, associada a um gênero artístico, como é o caso da arte-educação. Parece-me mais produtivo considerá-la como não-disciplina, sem lugar discursivo definido, desprovida de “caixa de ferramentas” teórico-prática e/ ou repertório próprio, justamente por ela, enquanto procedimento interativo volúvel e influenciável, de negociação permanente, posicionar-se e desenvolver-se em zonas intermediárias, de traçado impreciso: entre as coisas, os saberes e as pessoas. Talvez esta identidade difusa, circunstancial, seja justamente o seu principal trunfo.

Ademais, este desvio em relação à sua afirmação como ramo do conhecimento tende a potencializar e ampliar a performance mediadora naquilo que ela tem como proposta: intervir para promover relações significativas entre sujeitos e entre sujeitos e objetos, o que não corresponde a uma suposta anulação de conflitos, incomunicabilidades, desinteresses, antipatias e insucessos. Ao abdicar de estratégias pré-concebidas, o mediador, antes de mais nada, tem de assumir e cultivar uma atitude perscrutadora, de escuta, sustentando as dúvidas em lugar de rechaçá-las, buscando perceber os indivíduos e elementos do processo no meio do qual ele se coloca e atua, como agenciador, para aí sim proceder sua abordagem.

A plataforma (momentânea) em que o mediador atua, por não estar definida de antemão, é formada em tempo real, com os elementos presentes e suas respectivas contribuições, durante a interação com os sujeitos e os objetos em questão. Sua composição, para evocarmos um exemplo, assemelha-se muito mais a um círculo à altura do chão, formado pela posição dos corpos e dos objetos, do que a uma edificação elevada, alicerçada por estruturas e metodologias. Assim, corresponde muito mais a um agrupamento de pessoas do que a uma aula no sentido tradicional do termo, cujo formato costuma condicionar a (não)participação dos pseudo-interlocutores. A plataforma rasteira (na melhor acepção da palavra) e efêmera da mediação, ao agregar e dinamizar os interesses e vozes das partes envolvidas, tem o potencial de funcionar como lugar de encontro.

É neste lugar temporário que o mediador, consciente de sua posição medianeira e distante de qualquer neutralidade, busca estimular e articular os anseios, repertórios, códigos e inquietações dos sujeitos em suas relações entre si e em suas interações com os objetos. Atento aos equívocos provocados pelo apriorismo das fórmulas e pelas generalizações, o mediador procura “trazer para a roda” as linguagens, desejos e visões de mundo dos indivíduos que, necessariamente, pertencem a grupos sociais, gerações, culturas, camadas sócio-econômicas, regiões geográficas, credos e gêneros específicos, assim como ele. Portanto, os recursos que compõem a plataforma mencionada irão, inevitavelmente, surgindo aos poucos, ao longo da conversa, produzindo tanto entrelaçamentos como entrechoques.

Quanto aos ‘objetos’, trata-se de uma categoria abrangente, podendo incluir conjuntos como: saberes, manifestações culturais, produções artísticas, tradições, fenômenos sociais e naturais, coisas, vocabulários, locais, elementos da natureza, ou seja, tudo aquilo que faz parte dos universos material e imaterial, histórico e conceitual, passível de análise, interpretação e rearranjo. O mediador transita por este incomensurável cosmos de referências, exercitando sua capacidade de estabelecer recortes e verticalizações em campos e temas do seu interesse, desenvolvendo, a cada plataforma de mediação vivenciada, formas de aproximação e diálogo entre os indivíduos e entre estes e os objetos. Evidente que se mostrará mais apto para realizar mediações acerca de determinados assuntos em detrimento de outros, que não façam parte da sua gama de interesses. Mas o que importa, neste caso, é ressaltar que o mediador aqui delineado não é um especialista neste ou naquele assunto. Mesmo quando se dedica às filigranas de alguma área do conhecimento ou fenômeno, nunca perde de vista as zonas de fronteira e intersecção entre os saberes. Aliás, como já foi dito, é lá que ele costuma atuar. É lá que agencia os lugares de encontro, a tal plataforma em círculo.

Alinhavando estes modos de perceber os sujeitos e os objetos com os quais interage, o mediador é um atento observador das dinâmicas interpessoais, e também um propositor neste terreno. Por este motivo, as noções de identidade/alteridade, reciprocidade, negociação, deslocamento, recombinação, flexibilidade, plasticidade, reconhecimento (em vez de tolerância) e ressignificação lhe são muito caras, visto que contribuem para o agenciamento de experiências coletivas constituídas pelos meios disponibilizados pelo próprio grupo e pelas características dos objetos. Desta forma, o mediador privilegia o instante da interação, o compartilhamento ali em jogo.

Permeada por diálogos, opiniões, olhares, discordâncias, análises, movimentos dos corpos, réplicas, ruídos, dúvidas, tonalidades das vozes, descobertas, interpretações, nebulosidades, acordos e divergências, esta experiência adquire um valor em si, distanciando-se da perspectiva utilitarista e instrumental, que tenderia a subjugá-la à condição de simples meio de transmissão e aquisição de informações e explicações.

Norteado pelo que podemos chamar de ética da compartilha, o mediador procura deflagrar situações em que os indivíduos envolvidos tomem parte como representantes de si e porta vozes de seus pontos de vista, participando de maneira efetiva e particular das discussões em pauta, de modo a expor e cotejar suas opiniões. Com isso, não sobraria espaço para uma indesejável monopolização (e hierarquização) da fala que, em lugar disso, passaria a projetar-se e repercutir de maneira distribuída, no plural. Os movimentos de distribuição e deslocamento dão o tom da dinâmica que, entre outras coisas, proporciona momentos de alternância entre os interlocutores, convidando-os a se escutar, deslocando-se de seus lugares, saindo um pouco de si, para considerar e buscar compreender o outro e interpretar os objetos.

Para finalizar, sugiro que o leitor assista (se já não o fez) ao recente filme Entre os muros da escola, dirigido pelo francês Laurent Cantet. Pode ser produtiva a confrontação das idéias levantadas no presente texto com as situações apresentadas pelo filme.


Sobre Diogo de Moraes
Diogo de Moraes é mediador, artista visual e, atualmente, técnico de programação cultural no SESC Santo André. Licenciado em Artes Visuais pelo Unicentro Belas Artes de São Paulo.

Instituições culturais em que atuou como mediador de exposições: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu Lasar Segall, Itaú Cultural e Paço das Artes.

Instituições culturais e galerias onde já expôs sua produção artística: Centro Cultural São Paulo, Funarte Rio de Janeiro, Museu Murillo La Greca, Museu Victor Meirelles. Museu de Arte de Ribeirão Preto, Galeria Vermelho, Galeria Virgilio, entre outras.



P.S. Fico devendo o Bourriaud, que ainda não achei na net ...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fotografia de Moda


Aproveitando a discussão gerada a partir da exposição "Visionaire", no Instituto Tomie Ohtake, vou postar aqui algumas coisas que eu achei interessante de compartilhar com vocês =)

Primeiramente, algumas reflexões que permeiam essa questão e que eu considerei cabíveis ao contexto. Fiz pequenos recortes sobre os conceitos abordados, mas para quem quiser ler as pesquisas na íntrega, coloquei também o título da pesquisa, os autores e o link direto para a página. =D. Meu critério para escolha destes trabalhos foi apenas a intenção de ter algum embasamento teórico e sintético sobre o assunto, não se tratando, de forma alguma, verdades absolutas. Servem como curiosidade, argumento ou simplimente como ponto de partida para, talvez, alguma pesquisa futura mais aprofundada.
(Fotografia à esquerda de Richard Avedon)


"A estrutura da moda se formou através dos séculos, mas o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa foi determinante para a conquista do espaço que ela tem na atualidade. A fotografia nesse contexto assume um poderoso papel de instrumento da moda. (...) Moda e mídia tomaram um caminho comum: servir de suporte uma à outra e engrossar mutuamente a extensa malha de mercado mediante a qual se produzem e oferecem novos produtos. Na difusão da moda via revistas e jornais, a fotografia adquiriu cada vez mais importância nesse mercado na medida em que a sociedade passou a ter uma influência cada vez mais forte da mídia.(...) Os jornais e revistas de moda contemporâneos utilizam essa linguagem como poderoso meio de comunicação, que age de maneira determinante nas emoções humanas. Os elementos visuais implícitos na imagem fotográfica, manipulados por profissionais competentes, têm poder de persuasão e controle do público consumidor. (...) Da interação do poder da comunicação – fotografia, cinema e televisão – do poder da moda e o poder do novo se faz a dinâmica da fotografia de moda."
Fotografia: meio e linguagem dentro da moda - Valdete Vazzoler de Souza e José de Arimathéia Cordeiro Custódio - http://migre.me/GuDs


"A moda pode ser entendida como uma completa e complexa expressão da esteticidade, já que, ela é provocadora de um olhar atencioso e sensível em suas múltiplas funções (por exemplo: adorno, identidade, proteção, uniformização e luxo). Além das sensações
provocativas que são comuns tanto à arte quanto à moda, e as aproximam em uma mesma sintonia, as formas de arte e suas correntes são importantes decodificadoras da moda e referenciais consideráveis de sua assimilação. Sendo produtora de sentidos, a moda articula-se como linguagem visual. (...) É possível encarar moda, artes plásticas, performáticas, teatro, cinema entre outras, como formas estéticas provocativas da alma humana. Já que, cada um destes movimentos deve ser considerado como linguagem produtora de significações, responsáveis por instigar os sentidos e despertar reconhecimentos catárticos e de deleite." Moda, Arte e Experiência Estética - Ana Carolina Acom - http://migre.me/Gv0J

Bom... como curiosidade, segue também o link para o site da Visionaire: www.visionaireworld.com/ e um vídeo sobre a Visionaire 55 - Surprise! http://www.youtube.com/watch?v=WK30c_6aKKw

Para finalizar, uma busca de ALGUNS fotográfos que foram muito importantes para a história da fotografia de moda. Cada link corresponde a uma foto!


RICHARD AVEDON: http://migre.me/Gu0f, http://migre.me/Gu1V, http://migre.me/Gu30

MILTON H GREENE: http://migre.me/Gu8b, http://migre.me/Gu92, http://migre.me/Gu9Y

HOST P HOST: http://migre.me/Gucy, http://migre.me/GueS, http://migre.me/Gufo

WALDE HUTH: http://migre.me/GugQ, http://migre.me/GuiN, http://migre.me/Gujo


Beijocas,
Bianca Selofite =D

Karlheinz Stockhausen

Nascido na cidade de Mödrath, na Renânia, sua vida transcorreu de forma semelhante à de muitos jovens alemães de sua geração, obrigados a começar do zero depois da Segunda Guerra. Após a morte dos pais e de traumáticas experiências de guerra, Stockhausen passou um tempo ganhando a vida com trabalhos circunstanciais. Tocando em piano bars, por exemplo.

Stockhausen estudou Música, Letras Germânicas e Filosofia na Universidade de Colônia. Depois se transferiu para a Universidade de Bonn, onde freqüentou os cursos de Fonética e Comunicações. De 1952 a 1953, estudou em Paris com o compositor Olivier Messiaen (1908-1992), influente professor de expoentes da música nova como Pierre Boulez, Iannis Xenakis e György Kurtág.

Gravações experimentais feitas no início dos anos 50 lhe trouxeram reconhecimento internacional e o aproximaram de compositores como John Cage e músicos como o pianista David Tudor.

Abolir limites tradicionais

Nos anos 60, Stockhausen teve um papel decisivo no movimento Fluxus, interessado em abolir os limites tradicionais entre arte e sociedade. Ele trabalhou em Nova York com artistas de vanguarda, como Nam June Paik e Allen Ginsberg, e desenvolveu seu interesse pelas artes visuais.

Nas décadas de 60 e 70, Stockhausen deu aula em diversas universidades: em Basiléia, na Pensilvânia, em Filadélfia, na Califórnia e em Colônia. Na Exposição Mundial de Osaka, no Japão, ele se apresentou diante de quase um milhão de pessoas. Sua música foi tocada duas vezes por dia durante os seis meses de duração da exposição.

Ele também trabalhou com músicos de rock. Stockhausen consta da montagem de retratos na capa do álbum Sergeant Pepper, dos Beatles. Sua amizade com John Lennon sobreviveu à dissolução da banda.

Greve de fome de sete dias

Não só as composições pioneiras de Stockhausen chamaram atenção pública: também a vida privada. Quando sua segunda esposa, Mary Baumeister, pediu divórcio, ele começou uma greve de fome que durou sete dias. Depois diria que essa ruptura inaugurou uma nova fase da sua vida, na qual ele se distanciou de sua antiga abordagem musical eletrônica.

Nos anos 70, Stockhausen começou a trabalhar no ciclo de ópera épico Licht (Luz), cuja apresentação integral aconteceu em outubro de 2004. A obra consiste de sete partes intituladas como os dias da semana. O ciclo completo dura mais de 29 horas, representando a composição mais longa da história da música. Luz não só extrapolou os limites usuais da performance musical, mas também os financeiros.

Em 1995, ele transformou uma praça em Amsterdã em heliporto, onde quatro helicópteros alugados por Stockhausen participaram da estréia da excêntrica obra Helikopter-Quartett (Quarteto para Helicópteros). O quarteto de cordas Arditti tocou dentro dos helicópteros. A apresentação aérea foi transmitida em som e imagem na sala de concertos.

Críticas de Ligeti

Desde que começou a trabalhar no ciclo Luz, em 1977, Stockhausen se afastou quase que inteiramente da vida pública. Nos últimos anos, ele raramente saiu de casa.

Logo após o 11 de setembro de 2001, Stockhausen qualificou os atentados em Washington e Nova York como a maior obra de arte imaginável – uma observação que desencadeou indignação internacional e severas críticas.

O compositor György Ligeti acusou Stockhausen de endossar ações terroristas. Concertos de Stockhausen programados para o Festival de Música de Hamburgo foram cancelados na ocasião. Posteriormente, Stockhausen justificou que não apoiava os atos de terror, mas simplesmente ficara fascinado com a determinação dos terroristas.

Ao todo, Stockhausen compôs mais de 280 obras musicais. Ele próprio foi o regente ou diretor musical da maioria das estréias de suas obras.

Na íntegra, porém não traduzido, suas declarações :

"Well, what happened there is, of course — now all of you must adjust your brains — the biggest work of art there has ever been. The fact that spirits achieve with one act something which we in music could never dream of, that people practise ten years madly, fanatically for a concert. And then die. [Hesitantly.] And that is the greatest work of art that exists for the whole Cosmos. Just imagine what happened there. There are people who are so concentrated on this single performance, and then five thousand people are driven to Resurrection. In one moment. I couldn't do that. Compared to that, we are nothing, as composers. [...] It is a crime, you know of course, because the people did not agree to it. They did not come to the "concert". That is obvious. And nobody had told them: "You could be killed in the process." (Stockhausen 2002, 75–76.)

E uma nota a imprensa onde ele explicava sua fala :

"At the press conference in Hamburg, I was asked if Michael, Eve and Lucifer were historical figures of the past and I answered that they exist now, for example Lucifer in New York. In my work, I have defined Lucifer as the cosmic spirit of rebellion, of anarchy. He uses his high degree of intelligence to destroy creation. He does not know love. After further questions about the events in America, I said that such a plan appeared to be Lucifer's greatest work of art. Of course I used the designation "work of art" to mean the work of destruction personified in Lucifer. In the context of my other comments this was unequivocal." (Stockhausen, 2001)



Manifesto Internacional Situacionista


"Não há algo como uma obra situacionista, mas um uso situacionista da obra".


Publicado na Internacional Situacionista 4, (1960).

Uma nova força humana, que o status existente não poderá reprimir, cresce a cada dia com o irresistível desenvolvimento técnico e com a insatisfação de sua utilização possível em nossa vida social privada de sentido.

A alienação e a opressão na sociedade não podem ser mantidas em nenhuma de suas variantes, mas sim, apenas rejeitadas em bloco com essa mesma sociedade. Todo progresso verdadeiro fica evidentemente suspenso até que a multiforme crise atual encontre uma solução revolucionária.

Quais seriam as perspectivas de organização da vida numa sociedade que, de maneira autêntica, "reorganizasse" a produção sobre a base de uma associação livre e igualitária de produtores? A automatização da produção e a socialização dos bens vitais reduzirão cada vez mais o trabalho como necessidade exterior e proporcionarão, finalmente, plena liberdade ao indivíduo. Desse modo, liberto de toda responsabilidade econômica, de todas as suas dívidas e culpas com relação ao passado e ao seu próximo, o homem terá à sua disposição uma nova mais-valia incalculável em dinheiro, pois essa mais-valia não pode ser reduzida à medida do trabalho assalariado: o valor do jogo, da vida livremente construída. O exercício dessa criação lúdica é a garantia da liberdade de cada um e de todos no âmbito da única igualdade garantida com a não-exploração do homem pelo homem. A libertação do jogo é a sua autonomia criativa, que supera a velha divisão entre o trabalho imposto e o ócio passivo.

A Igreja queimou, em outras épocas, supostos bruxos para reprimir as tendências lúdicas primitivas conservadas nas festas populares. Na sociedade dominante de hoje, que produz em massa desconsolados pseudo-jogos de não-participação, uma atividade artística verdadeira é forçosamente classificada no campo da criminalidade. É semiclandestina. Aparece sob a forma de escândalo.

O que é isso, na verdade, a não ser a situação? Trata-se da realização de um jogo superior, mais exatamente, da provocação para jogar esse jogo que constitui a presença humana. Os jogadores revolucionários de todos os países podem unir-se à I.S. a fim de começar a sair da pré-história da vida cotidiana.

A partir de agora, propomos uma organização autônoma dos produtores da nova cultura, independente das organizações políticas e sindicais existentes no presente momento, pois nós negamos a capacidade de se organizar outra coisa a não ser o acondicionamento do existente.

O objetivo mais urgente que estabelecemos para para uma primeira campanha pública dessa organização quando ela sair de sua fase experimental inicial é a tomada da U.N.E.S.C.O. A burocratização unificada, em escala mundial, da arte e de toda a cultura é um fenômeno novo, que expressa o profundo parentesco entre os sistemas sociais coexistentes no mundo, que se baseiam na conservação eclética e na reprodução do passado. A resposta dos artistas revolucionários a essas novas condições deve ser um novo tipo de ação. Como a existência mesma dessa concentração direcionada da cultura, localizada num único edifício, favorece a sua confiscação por meio de um putsch; e como a instituição carece completamente de possibilidades de um uso que tenha sentido fora de nossa perspectiva subversiva, sentimo-nos justificados, diante dos nossos contemporâneos, para nos apoderarmos de um tal aparato. E o faremos. Estamos decididos a nos apoderar da U.N.E.S.C.O., ainda que seja por pouco tempo, já que estamos seguros de nela realizar, rapidamente, uma obra que permanecerá como a mais significativa, pelo fato de esclarecer um longo período de reivindicações.

Quais deverão ser principais características da nova cultura, principalmente em comparação com a arte antiga?

Contra o espetáculo, a cultura situacionista realizada introduz a participação total.

Contra a arte conservada, é uma organização do momento vivido diretamente.

Contra a arte fragmentária, será uma prática global que conterá, de uma só vez, todos os elementos utilizados. Tenderá naturalmente para uma produção coletiva e, sem dúvida, anônima (na medida em que, ao não armazenar as obras como mercadorias, dita cultura não estará dominada pela necessidade de deixar marcas). Suas experiências se propõem, no mínimo, a realizar uma revolução do comportamento e um urbanismo unitário dinâmico, susceptível de se estender para todo o planeta; e de se propagar, em seguida, para todos os planetas habitáveis.

Contra a arte unilateral, a cultura situacionista será uma arte do diálogo, da interação. Os artistas - como toda a cultura visível - chegaram a estar completamente separados da sociedade, assim como estão separados entre si pela concorrência. Porém, inclusive antes que o capitalismo ingressasse nesse pântano, a arte era essencialmente unilateral, sem resposta. Essa era encerrada em seu primitivismo será superada graças a uma comunicação completa.

Até que todo o mundo chegue a ser artista num plano superior, isto é, inseparavelmente produtor-consumidor de uma criação cultural total, assistiremos à dissolução rápida do critério linear de novidade. Quando todo o mundo for situacionista, por assim dizer, assistiremos a uma inflação multidimensional de tendências, de experiências, de "escolas" radicalmente diferentes, e isso não mais sucessivamente, mas sim, simultaneamente.

Inauguramos agora o que será, historicamente, o último dos ofícios. O papel de situacionista, de leigo-profissional, de anti-especialista, é, no entanto, uma especialização até o momento de abundância econômica e mental em que todo o mundo chegará a ser "artista", num sentido que os artistas não alcançaram: a construção de sua própria vida.

Aos que não nos comprenderam bem... dizemo-lhes com um irredutível desprezo: os situacionistas, de quem vocês acreditam ser juízes, os julgarão mais cedo ou mais tarde. Nós os esperamos na mudança de sentido que é a inevitável liquidação do mundo da escassez em todas as suas formas. São esses os nossos objetivos, e serão os futuros objetivos da humanidade.

17 de maio de 1960


Formação:

Em 1960 é lançado o Manifesto da Internacional SItuacionista, organizado por um grupo de jovens franceses que tinham uma chamada "ideologia marginal". No fundo, buscavam uma tentativa de teorizar as práticas espontâneas desenvolvidas no seio da subcultura boemia da Rive Gauche Parisiense. Guy Debord foi o fundador, e no seu círculo incluíam-se aventureiros, poetas e marginalizados de vários âmbitos, incluindo os conhecidos Letristas. A Internacional Situacionista surgiu de uma fusão de grupos, entre eles o COBRA, os Psicogeográficos da Alemanha, o MIBI (ou Movimento Internacional para uma Bauhaus Imaginista), este último encabeçado por Asger Jorn, além de artistas como Pinot Gallizio, um químico convertido em industrial e pintor que realizou desenhos feitos com as "máquinas de pintar". Eram rolos de tela pintados com pistolas e resina, feitas com o intuito de cobrir grandes extensões da cidade. No geral, as atividades da Internacional Situacionista reuniam obras de artistas, urbanistas, cineastas e poetas.